Estacionei, esta perigoso lá fora
Eu trabalhava com meu irmão vendendo coisas na rua, antes dessa confusão de pandemia. Mas conforme os relatos de mortes se aproximavam da cidade onde moro, percebi a seriedade do problema. Estava piorando.
O que me fez parar não foi os relatos de mortos pela COVID-19, foi a queda na venda. Pensei comigo "não vou ficar andando 2 km por dia pra ganhar no máximo 5 R$ e correr risco de morrer". Então eu fiquei de boa em casa mesmo. Ia sentir falta dos pacotes de bolachas e do iogurtes, de tantas outras delicias que comprávamos por um real, e isso era lamentável.
Foi assim.
Isso trouxe outro problema: o que eu ia fazer naquele tempo livre? Não me responda "limpar a casa", eu não sou a neura da limpeza. Atá que eu ficar numa correria frenética o dia todo. Já limpo o bastante. Eu na verdade bem me lembro que tenho pendências como: estudar linguagens de programação, línguas estrangeiras, entender mais sobre eletrônica, tentar desenvolver um jogo no blender, melhorar minhas técnicas de modelagem 3d, física, química... nossa, que rapaz importante. Mas hmph! que preguiça, dormir até as 15:00 é tão gostoso! Ficar mexendo no celular, comer comida... Eu sei que com todo o tempo livre que tive podia ter feito algo.
Fico sempre falando: "vou voltar a estudar francês", "tenho que aprender JavaScript"...essa preguiça deve ser o lance do vicio em dopamina. Devido, ao fato passar tanto tempo fazendo só o que eu quero, meu organismo se tornou mais tolerante à ela. Qualquer coisa que vou fazer de diferente parece como nadar contra a correnteza.
Sinto falta de quando eu estabelecia uma meta e tinha força de vontade pra cumpri-la. Já nem sei mais o que é isso.
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